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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A relação entre consumo e confiança dos consumidores

O consumo das famílias é o principal componente do PIB do Brasil. Em 2013, conforme os dados do IBGE, esse componente respondeu por 62,6% do total do produto. Compreender os elementos que influenciam os gastos das famílias se torna chave para avaliar a demanda agregada como um todo.

O gráfico abaixo mostra a variação acumulada em 4 trimestres do consumo e da confiança dos consumidores. As duas séries históricas apresentam uma correlação interessante. Aqui, temos mais um caso de um indicador coincidente, da mesma forma que o Índice do Medo do Desemprego (leia aqui). De uma maneira geral, consumidores mais confiantes tendem a desembolsar mais em bens e serviços e vice-versa.

Consumo das Famílias e Confiança dos Consumidores
(Variação % acumulada em 4 trimestres)

No entanto, é possível que mudanças na confiança estejam associadas ao próprio ciclo econômico. Por exemplo: em um período de recessão - momento atual vivido pela economia brasileira -, a própria desaceleração do nível de atividade acarreta numa redução do ritmo de contratações e num menor crescimento dos salários reais, impactando negativamente na confiança dos agentes.

Dito de outra forma, não é possível afirmar qual é a relação causal entre as duas variáveis, simplesmente pelo fato de existir uma correlação entre ambas.

Fonte: Consumo das famílias - IBGE (Tabela 1620 do SIDRA)
Confiança dos consumidores - OCDE (Link de acesso)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O que esperar do investimento nos próximos meses?

Indicadores antecedentes são variáveis capazes de gerar conteúdo informativo sobre o comportamento futuro de alguma outra variável de interesse. Em função dessa característica, tornam-se bastante úteis para a análise econômica. O objetivo desse texto é tentar antever a trajetória do investimento: elemento-chave para a dinâmica de crescimento de um determinado País.

Nesse caso, far-se-á uso do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A escolha dessa variável se justifica pelo fato de que empresários mais confiantes em relação à situação presente e às expectativas futuras se tornam mais propensos a aumentar a capacidade produtiva de suas indústrias, e vice-versa. O gráfico abaixo mostra ambas as séries, no qual se faz uso de um artifício: os dados referentes às variações do ICEI foram adiantadas em um trimestre, gerando um padrão que se aproxima do investimento. Isso confirma o caráter antecedente da primeira em relação à segunda.

Índice de Confiança do Empresário Industrial (adiantado em um trimestre) e Formação Bruta de Capital
(Variação % acumulada em 4 trimestres)



A relação sugere que o investimento deve ter contraído ainda mais no último trimestre de 2014 e manterá a trajetória descendente entre janeiro e março desse ano. Chama a atenção o fato de que a formação bruta de capital fixo já apresenta queda de 4,6% no acumulado dos últimos quatro trimestres que se encerraram entre julho e setembro de 2014. Portanto, devemos esperar que esse importante vetor de crescimento mantenha-se fraco.

Fontes:
Índice de Confiança do Empresário Industrial - CNI. Série 7341 do SGS - BACEN.
Investimento (Formação Bruta de Capital Fixo). IBGE. Série 1620 do SIDRA/IBGE.