terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O que esperar da economia dos Estados Unidos em 2017

As estimativas mais recentes do FMI apontam que a economia americana crescerá 2,2% em 2017. Apesar de mais alta em relação a 2016 (1,6%), a taxa projetada para este ano está bastante próxima da média observada entre 2011 e 2016: 2,0%. O objetivo do presente texto é analisar as perspectivas para o nível de atividade dos Estados Unidos em 2017, através da investigação de cada um dos componentes do PIB pela ótica da demanda.
O consumo das famílias deverá continuar crescendo de maneira sólida, em linha com as condições mais apertadas do mercado de trabalho: quanto maior a disputa por mão de obra escassa, maior a pressão por ganhos salariais acima da inflação, o que naturalmente eleva o poder de compra dos rendimentos. O último dado da taxa de desemprego, referente ao mês de janeiro, acusou 4,8%, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS). Esse percentual da População Economicamente Ativa (PEA) que procurou por algum tipo de ocupação e não obteve sucesso é praticamente igual à taxa natural (4,7%, de acordo com as estimativas do Congressional Budget Office). A taxa natural de desemprego pode ser definida como a que equilibra a economia, ou seja, incapaz de gerar pressões (inflacionárias ou deflacionárias) sobre o nível de preços.
Por sua vez, a tendência é de que os investimentos tenham um desempenho melhor em 2017, ao contrário dos últimos dois anos: entre o segundo trimestre de 2015 e o terceiro trimestre de 2016, a formação bruta de capital fixo subtraiu 1,26 ponto percentual do crescimento do PIB americano. Parte da explicação reside na queda dos investimentos em mineração e em poços de petróleo, cuja dinâmica acompanha a cotação internacional das commodities. Ou seja, quanto maior o preço dessas mercadorias, maior tende a ser a propensão dos empresários para investir, visando a obtenção de ganhos de receita para cada unidade vendida. Como o preço das commodities já sofreu ganhos significativos ao longo dos últimos meses, a tendência é de que os dispêndios visando o aumento da capacidade produtiva sejam mais altos em 2017. O barril de petróleo, por exemplo, sofreu valorização desde que a OPEP anunciou, ainda em 2016, corte na produção do cartel. Diante da redução da oferta, a cotação se eleva.
Já os gastos do governo não devem sofrer grande alteração. Isso porque o plano econômico de Trump, que envolve, entre outras coisas, o aumento dos gastos com infraestrutura, depende da aprovação do Congresso. É provável, portanto, que poucas ações sejam aprovadas antes do ano fiscal de 2018 (que se inicia em outubro de 2017). É necessário lembrar, ainda, que o início das obras leva algum tempo, até que todas as permissões no âmbito burocrático sejam aprovadas.
Já o setor externo – diferença entre exportações e importações – deverá contribuir para manter o crescimento inalterado, ou até mesmo reduzi-lo. Isso porque o Dólar está bastante valorizado em comparação com as principais moedas do mundo, o que incentiva as importações e desincentiva as exportações. O Dollar Index, em sua medida “ampla”, segue no maior patamar da série histórica desde 2002, e não existe expectativa de reversão dessa tendência, pelo menos de curto prazo. Isso pode ser explicado pela crença do mercado de que o plano econômico do presidente surtirá efeito. Caso isso aconteça, a inflação tende a ser pressionada, o que naturalmente demandaria juros mais altos. Ademais, a demanda externa tende a manter-se arrefecida, sobretudo porque o PIB mundial não deverá acelerar, de maneira substancial, em 2017.
Em suma, o mercado doméstico continuará sendo o principal motor da economia americana e o crescimento convergirá para a média dos últimos anos.

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